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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Gestão e controle: de que e pra que?

Lendo, pensando e escrevendo um pouco sobre gestão, liderança e o controle, permito compartilhar com vocês alguns autores que abordam sobre tempo, espaço e controle na sociedade pós moderna.


Inicialmente direcionando tais reflexões baseadas na justificativa da importância que se dá ao controle e cumprimento das atividades laborais no ambiente de trabalho, caracterizando uma gestão autocrática, apontada por Likert (Sistemas de Gestão Administrativas), muitas vezes, sistema de gestão justificada em organizações que requer maior controle, pois a mão de obra intensiva e tecnologia rudimentar.(CHIAVENATO, 2003)

No contexto das instituições de ensino, ou até mesmo em organizações que tem como matéria prima, a criação e desenvolvimento de ideias, produtos e serviços, é preciso prioritariamente observar a transposição de modelos de gestão, mas principalmente, modelos que trazem a ênfase na produção e objetivos mensuráveis.

Assim, buscamos aqui compreender a relação do controle com o trabalho, e sua concepção na historia da sociedade:



 FOUCAULT (1997): “O fato de controlar as atividades, como a imposição de horários é uma velha herança das comunidades monásticas que se difundiram rapidamente através de três grandes processos – estabelecerem as censuras, obrigarem as ocupações determinadas e regulamentares, os ciclos de repetição – que desde muito cedo foram encontrados nos colégios, fábricas, hospitais. Ou seja, o tempo medido e pago deve ser também um tempo sem impureza, sem defeito, de boa qualidade, e durante todo o seu transcurso, a exatidão e a aplicação são com a regularidade virtudes fundamentais do tempo disciplinar.”



 DEJOURS (1998) : “A sociedade capitalista trás a realidade do trabalho para o imperativo de poder, e uma vez que o poder pode ser entendido, em primeira instância como a multiplicidade de relações de força que opera e constituí sua própria organização, formando assim uma corrente ou um sistema. Que poderá também realizar disjunções e contradições que irá o isolar os trabalhadores uns dos outros.”



 DE MASI(2000): “A sociedade rural não tinha outra saída senão localizar cada plantio no terreno mais apropriado. O homem era “obrigado” às escolhas espaciais. E o mesmo valia para o tempo: cada estação do ano implicava somente um numero determinado de atividades(...).A sociedade industrial conseguiu fazer com que o tempo virasse uma mania, uma neurose. Também o espaço era em grande parte obrigatório: era mais conveniente elaborar a matéria prima o mais perto possível dos cursos d`água que acionavam as turbinas.”



Quero acreditar, que muito do que se vê, principalmente nas instituições de ensino, são lapsos ocorridos pela ausência da reflexão, da observação do que se faz e que resultado e consequências isso acarretará. É preciso pensar que o ambiente educacional requer criatividade e liberdade de ação, estabelecida pela participação de todos. De acordo com De Masi(2000) “a criatividade precisa de vínculos, de desafios, não de barreiras burocráticas(...).”

Pensar em liderança, equipe, gestão escolar nos remete que:



“ a criatividade de uma equipe decorre da combinação certa de personalidades imaginativas e de personalidades concretas(...)um grupo criativo baseia a sua fecundidade na competência e motivação dos seus membros, na liderança carismática capaz de indicar e fazer compartilhar uma missão inovadora num clima solidário e entusiasta.” (DE MASI, 2003)



Enfim, quero aqui deixar espaço, para deixar meu olhar múltiplo e plural. Mas para isso, não posso considerar a minha verdade, meus valores, minhas dores e decepção. Quero compor este tecido de percepções, reflexões, e por que não, composição!

Por sugestão, mas também fruto da insatisfação de alguns colegas, trago um pouco de poesia, de canção. Talvez ela traduza melhor, o cenário das organizações e sua relação com os profissionais que nelas trabalham

Vocês que fazem parte dessa massa

Que passa nos projetos, do futuro

É duro tanto ter que caminhar

E dar muito mais, do que receber.

E ter que demonstrar, sua coragem

A margem do que possa aparecer.

E ver que toda essa, engrenagem

Já sente a ferrugem, lhe comer. ( Ze Ramalho, Vida de Gado)


REFERÊNCIAS

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7ed.rev. e atual. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

DEJOURS, C. Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações - São Paulo: Atlas, 1993.

DE MASI, Domenico. O ócio criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

_____. Criatividade de grupos criativos. Rio de Janeiro: Sextante,2003

FOUCAULT, Michel - Vigiar e Punir – 27 ed. Petrópolis: Vozes,1997.